Manifesto por dignidade aos médicos e pacientes na atenção primária à saúde



Vivemos dias de gravidade ímpar no sistema de saúde do Brasil. Na linha de frente do atendimento, são vítimas todos os acometidos pela Covid e por outras doenças. Os médicos, por sua vez, também são penalizados, pois travam luta por cura e salvamento de vidas em condições inadequadas e insustentáveis.


Submetidos mais uma vez à pressão máxima no combate à Covid-19, tanto os médicos como as equipes profissionais da Atenção Primária da Saúde (APS) relatam sobrecarga e exaustão nesse novo ciclo da pandemia agravado pela variante Ômicron e, de forma conjugada, por um surto de influenza causado pelo vírus H3N2.


A despeito de todas as dificuldades do enfrentamento sem tréguas ao vírus, dos desafios em defesa de vacinação, do acolhimento dos sintomáticos respiratórios e, mais recentemente, da testagem em massa, seguimos sem qualquer investimento para ampliação das equipes e respostas mais efetivas.


Como de praxe, a APS segue comprometida em oferecer a melhor assistência aos pacientes. Neste cenário, porém, são cada vez mais comuns os relatos de problemas de estrutura, carência de recursos humanos e insumos.


Diante de condição sofrível e inóspita, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e o Comitê Extraordinário de Monitoramento da Covid-19 da Associação Médica Brasileira (CEM COVID_AMB) solidarizam-se com os médicos de família e comunidade e com os demais profissionais de saúde das diferentes regiões do País.


Por oportuno e imperioso, registramos ser imprescindível a dotação de mais recursos à atenção primária para que possa continuar honrando seu papel decisivo no combate ao SARS-CoV-2, sem, no entanto, descuidar das inúmeras outras afecções que continuam acometendo os cidadãos brasileiros.


O CEM COVID_AMB conclama gestores públicos e privados a adotarem medidas urgentes para que as equipes possam trabalhar com melhores possibilidades para o atendimento dos casos suspeitos de Covid e das demais doenças não transmissíveis.

É o que esperamos, é o justo, é o que pleiteamos já.

São Paulo, 20 de janeiro de 2022

CEM COVID_AMB

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