top of page

Nasceu o bebĂȘ. Posso voltar aos anticoncepcionais

  • 31 de jan. de 2018
  • 4 min de leitura

Uma das principais dĂșvidas das mulheres apĂłs dar Ă  luz o bebĂȘ Ă© sobre quando Ă© possĂ­vel voltar a utilizar algum mĂ©todo anticoncepcional. Afinal, nem sempre ter outro bebĂȘ estĂĄ nos planos da mulher e, ainda que esteja, o recomendado pelos mĂ©dicos Ă© esperar no mĂ­nimo seis meses em caso de parto normal ou nove meses apĂłs uma cesĂĄrea para engravidar de novo.

De acordo com os especialistas, o mais seguro Ă© que as mulheres respeitem o resguardo, o perĂ­odo de cerca de 42 dias apĂłs o nascimento do bebĂȘ, necessĂĄrio para que o corpo da mulher se recupere do parto e no qual o sexo Ă© contraindicado pelo risco de infecção. O uso de anticoncepcionais com hormĂŽnios durante o resguardo pode aumentar os riscos de formação de coĂĄgulos nas pernas e de tromboembolismo venoso, problemas que podem ocorrer mais comumente na gravidez e nas seis semanas apĂłs o parto.

“De uma forma geral, a atividade sexual sĂł deve ser retomada apĂłs a consulta de retorno pĂłs-parto, que habitualmente ocorre seis semanas depois de a mulher dar Ă  luz. Nessa consulta, o mĂ©dico orienta a anticoncepção ideal para a paciente”, afirma Luciano Pompei, ginecologista e obstetra coordenador cientĂ­fico de Ginecologia da SOGESP (Associação de Ginecologia e ObstetrĂ­cia do

Estado de SĂŁo Paulo).

É importante lembrar que, caso nĂŁo respeite as recomendaçÔes acima, as chances de engravidar durante os primeiros 42 dias do pĂłs-parto sĂŁo muito pequenas, ainda mais se a gestante estiver amamentando seu bebĂȘ em livre demanda, o que inibe a ovulação e, consequentemente, impossibilita uma nova gravidez.

Caso a mulher que não esteja amamentando em livre demanda quebre o resguardo e tenha relação sexual, o ideal é que ela ou seu parceiro usem preservativos, ou seja, as camisinhas masculina ou feminina. Se não houver o uso de preservativos ou se a camisinha se romper durante a relação sexual, o mais indicado é a mulher procurar seu médico.

Escolhendo o anticoncepcional ideal

A partir da sĂ©tima semana apĂłs o parto, ou seja, quando acaba o resguardo, as relaçÔes sexuais estĂŁo liberadas, e as chances de engravidar aumentam, jĂĄ que a ovulação pode voltar a qualquer momento. Por isso, antes de retomar a vida sexual com seu parceiro, Ă© importante que ela defina, de preferĂȘncia junto ao seu mĂ©dico, um mĂ©todo anticoncepcional ideal para atender suas necessidades, uma vez que existam diversos tipos diferentes, cada um com suas caracterĂ­sticas,

vantagens e desvantagens.

“A escolha do mĂ©todo depende de vĂĄrios fatores. Em primeiro lugar, das condiçÔes de saĂșde da mulher. É papel do mĂ©dico verificar se ela tem algum problema de saĂșde que pode restringir alguns mĂ©todos anticoncepcionais. NĂŁo havendo contraindicação, o mĂ©dico deve apresentar as vantagens e desvantagens de cada mĂ©todo para que a mulher possa escolher aquele que melhor se adequa ao seu perfil e ao qual ela tem maior facilidade de aderir e de usar corretamente”, afirma o ginecologista e obstetra.

As mĂŁes que amamentam sĂŁo as que mais precisam estar atentas Ă  escolha, pois hĂĄ alguns mĂ©todos que podem influenciar na amamentação. “Os mĂ©todos que nĂŁo podem ser usado no pĂłs-parto pelas mĂŁes que amamentam sĂŁo os chamados combinados, ou seja, aqueles que tĂȘm dois hormĂŽnios: um derivado da progesterona e um derivado do estrogĂȘnio, pois o Ășltimo Ă© contraindicado para quem amamenta”, alerta Luciano.

O motivo do estrogĂȘnio ser contraindicado para quem amamenta Ă© que ele pode diminuir a qualidade e a produção do leite materno. Os mĂ©todos hormonais que nĂŁo podem ser usados por quem amamenta sĂŁo a pĂ­lula anticoncepcional comum combinada; a injeção mensal, que tambĂ©m tem estrogĂȘnio; o anel vaginal, que tambĂ©m Ă© um mĂ©todo combinado e o adesivo anticoncepcional.

Apesar das pílulas anticoncepcionais mais comuns serem as combinadas, é possível encontrar versÔes que contenham apenas derivados da progesterona, que podem ser usadas normalmente pelas mulheres que amamentam. Existe ainda a injeção trimestral, uma injeção que também contém apenas derivados da progesterona e pode ser usada.

“Os mĂ©todos hormonais que contĂ©m apenas derivado da progesterona, que nĂłs mĂ©dicos chamamos de mĂ©todos de progestagĂȘnio, podem ser usados, porque nĂŁo interferem na amamentação e sĂŁo muito seguros, com poucos riscos para a saĂșde de uma forma geral”, completa o mĂ©dico.

TambĂ©m hĂĄ dispositivos contraceptivos que sĂŁo seguros para todas as mĂŁes, como o dispositivo intrauterino (DIU). O DIU de cobre tem um formato de T e age impedindo que os espermatozoides cheguem Ă s trompas, onde a fecundação acontece. Ele pode ser colocado jĂĄ na maternidade, logo apĂłs a expulsĂŁo da placenta e, de acordo com a Organização Mundial da SaĂșde, pode ser mantido por atĂ© 10 anos dependendo do tipo. O DIU hormonal, por sua vez, atua liberando o hormĂŽnio levonorgestrel, uma versĂŁo sintĂ©tica da progesterona, e pode dura

até de cinco anos.

Amamentação evita gravidez?

A prĂłpria amamentação pode ser um mĂ©todo contraceptivo natural, chamado pelos mĂ©dicos de mĂ©todo de amenorrĂ©ia lactacional. PorĂ©m, o mĂ©todo somente funciona para mulheres que amamentam seus bebĂȘs em livre demanda e que ainda nĂŁo voltaram a menstruar e, mesmo assim, Ă© difĂ­cil saber quando a ovulação

irĂĄ retornar.

“Hoje em dia a mulher volta ao trabalho pouco tempo apĂłs ter filhos, ao final da licença maternidade, entĂŁo jĂĄ fica mais difĂ­cil de ela amamentar regularmente. Por isso, Ă© mais difĂ­cil a prĂĄtica desse mĂ©todo atualmente, dessa forma,

frequentemente recomendamos um mĂ©todo adicional, atĂ© porque a mulher se sente mais segura de estar usando um mĂ©todo mais eficaz”, finaliza Luciano.


 
 
 
bottom of page