Depressão pós-parto

February 19, 2020

 

É uma condição de profunda tristeza, desespero e falta de esperança que acontece logo após o parto. A depressão pós-parto traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta de 12 a 20% da população.

 

Causas

 

Não existe uma única causa conhecida para depressão pós-parto. Ela pode estar associada a fatores físicos, emocionais, estilo e qualidade de vida, além de ter ligação, também, com histórico de outros problemas e transtornos mentais. No entanto, a principal causa está relacionada ao enorme desequilíbrio de hormônios em decorrência do término da gravidez.

 

Além disso, um dois maiores fatores desencadeantes da doença é a presença de depressão durante o pré-natal, ou antes, da gestação “As incertezas da evolução da gravidez, presença de diagnósticos adversos durante o pré-natal, necessidade de hospitalização e parto em situação de emergência também são condições de risco para o desenvolvimento do transtorno” comenta Dra Fernanda Figueiredo de Oliveira, ginecologista e obstetra e membro titular da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP). 

 

Outros fatores

  • Privação de sono.

  • Isolamento.

  • Alimentação inadequada.

  • Sedentarismo.

  • Falta de apoio do parceiro.

  • Falta de apoio da família.

  • Depressão, ansiedade, estresse ou outros transtornos mentais.

  • Vício em crack, álcool ou outras drogas.

Complicações

 

A mulher que está em depressão pós-parto, normalmente, amamenta pouco e não cumpre o calendário vacinal dos bebês. As crianças, por sua vez, têm maior risco de apresentar baixo peso e transtornos psicomotores, além de outros problemas de saúde.

Segundo Fernanda, o transtorno pode provocar o afastamento do recém nascido e, consequentemente, diminuir a possibilidade da amamentação exclusiva “ Isso aumenta os riscos da criança desenvolver hipertensão arterial, diabetes e síndromes metabólicas na idade adulta”, afirma.

 

Sintomas como irritabilidade, choro frequente, sentimentos de desamparo e desesperança, diminuição da energia e motivação, desinteresse sexual, transtornos alimentares e do sono, ansiedade e sentimentos de incapacidade de lidar com situações novas são emocionalmente potencializadas.

 

Se não for tratada corretamente e de forma imediata, a depressão pós-parto pode interferir negativamente o vínculo entre mãe-filho e causar problemas familiares, muitos deles irreversíveis. Filhos de mães que têm depressão pós-parto não tratada são mais propensos a terem problemas de comportamento, como dificuldades para dormir e comer, crises de birra e hiperatividade. Os atrasos no desenvolvimento da linguagem também são os mais frequentes.

 

O tratamento deve ser feito de maneira individualizada, levando em conta as particularidades de cada paciente e as melhores evidências médicas disponíveis.  Em conjunto a essa questão, o apoio da família é fundamental.

 

“O suporte familiar durante a gestação, parto e pós parto, é capaz de fornecer à mulher uma percepção de maior segurança frente às situações de extrema mudança, sejam elas fisiológicas, psicológicas e/ou sociais causadas pela gravidez. Além disso, os familiares têm papel fundamental na identificação precoce de sinais de alerta para o diagnóstico da depressão pós-parto”, enfatiza Fernanda.

 

Facilitadores

 

Existem alguns fatores de risco que podem aumentar o surgimento da depressão pós-parto.

  • Histórico de depressão pós-parto anterior.

  • Falta de apoio da família, parceiro e amigos.

  • Estresse, problemas financeiros ou familiares.

  • Falta de planejamento da gravidez.

  • Limitações físicas anteriores, durante ou após o parto.

  • Depressão antes ou durante a gravidez.

  • Depressão anterior.

  • Transtorno bipolar.

  • Histórico familiar de depressão ou outros transtornos mentais.

  • História de desordem disfórica pré-menstrual (PMDD), que é a forma grave de tensão pré-menstrual (TPM).

  • Violência doméstica.

 

Fonte – Ministério da Saúde

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