Fome oculta na infância mata!

May 2, 2019

Mais de 2 bilhões de pessoas no mundo apresentam deficiência nutricional de zinco, iodo, o selênio, o cálcio, o magnésio e o fósforo. Saiba o que comer para se prevenir da carência desses minerais

 

 

A fome oculta é a deficiencia de micronutrientes (vitaminas e minerais) que frequentemente não mostra sinais ou sintomas, mas que pode levar a alterações silenciosas e resultar em sequelas a longo prazo. Atualmente, a deficiência de micronutrientes afeta mais de 2 bilhões de pessoas no planeta.  

Ela ocorre quando a qualidade dos alimentos ingeridos não atinge as necessidades do indivíduo. Acomete principalmente as crianças devido à maior demanda de micronutrientes nesse período, em decorrência do crescimento e do desenvolvimento. Não importa o peso da criança, a fome oculta pode afetar os mais magros, os mais obesos, ou até mesmo aquela com peso adequado. 

Entre os minerais que resultam em carência nutricional, podemos destacar, o ferro, o zinco, o iodo, o selênio, o cálcio, o magnésio e o fósforo. No mundo, são mais frequentes as deficiências de ferro, zinco e iodo, sendo a de ferro a mais prevalente.

O ferro é um mineral essencial para o transporte de oxigênio, para o desenvolvimento cerebral e atua no sistema imunológico. A principal consequência da carência de ferro é a anemia, e, na criança, pode afetar o crescimento, causar déficit de aprendizagem e de cognição, além de aumentar o número e a gravidade dos quadros infecciosos. Garantir a ingestão de carnes, espinafre, ostras, fígado, ervilha e legumes, é a melhor forma de prevenir a sua deficiência.

O zinco também é importante para o desenvolvimento e crescimento da criança, e atua nos sistemas imune e reprodutivo, na cognição, na visão e no paladar. Portanto, a sua deficiência pode levar ao retardo de crescimento e da puberdade, assim como alterações de pele e de cicatrização, no paladar e falta de apetite. Como principal fonte de zinco temos: ostras, carnes e vísceras, grãos integrais, castanhas, cereais, legumes e tubérculos.

O cálcio, encontrado principalmente no leite e nos produtos lácteos, é o mineral mais abundante no corpo humano, e, juntamente com o fósforo, compõe os ossos e os dentes. Ainda atua na contração muscular, na manutenção da pressão arterial, na coagulação e na oxidação de gordura, diminuindo a massa gorda. As maiores necessidades de cálcio ocorrem durante a puberdade e adolescência, quando a formação óssea tem uma maior demanda.

No Brasil, a deficiência de iodo tem sido combatida com a iodização do sal. O iodo compõe os hormônios da tireoide e também atua no crescimento e no desenvolvimento cerebral. Daí a sua carência gerar hipotireoidismo, retardo mental e atraso cognitivo. Nos alimentos, o iodo está presente nos alimentos marinhos, sal iodado, leite e ovo.

Alguns alimentos podem dificultar ou favorecer a absorção dos minerais. A ingestão de frutas cítricas junto aos alimentos fonte de ferro, por exemplo, aumentam a sua absorção, porém o refrigerante e o leite podem atrapalhar, por isso se recomenda evitar a ingestão de leite durante as refeições principais. A lactose, por sua vez, ajuda na absorção do cálcio e do magnésio (presente nas folhas), enquanto o refrigerante atrapalha. Em altas doses, o ferro prejudica a absorção de cobre e zinco, sendo um dos motivos por que se deve evitar a associação de industrializados fortificados (por exemplo, fórmulas lácteas e cereais infantis).

A melhor forma de prevenir a fome oculta nas crianças e garantir o crescimento e o desenvolvimento saudáveis é promovendo uma alimentação balanceada através da ingestão de frutas, legumes, verduras, castanhas, além das carnes e dos produtos lácteos.

 

  • Daniel Magnoni, consultor da iniciativa Nutrientes para a Vida (NPV), diretor de Serviço de Nutrologia e Nutrição Clínica do Hospital do Coração – Hcor, Mestre em cardiologia pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; especializado ainda em Clínica Médica, Nutrologia e Nutrição Parenteral e Enteral pela Associação Médica Brasileira – AMB / Conselho Federal de Medicina – CFM

 

 

SOBRE O NPV

 

A Nutrientes Para Vida (NPV) tem como missão esclarecer e informar a sociedade, sobre os benefícios dos fertilizantes (ou adubos) na produção dos alimentos, bem como sobre sua utilização adequada. 

Atua somente com informações embasadas cientificamente, de modo a explicar claramente o papel essencial dos diversos tipos de fertilizantes na segurança alimentar e nutricional, além de seu efeito multiplicador na produtividade de culturas. 

 

 

Referências 

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Lozoff B, Beard J, Connor J, Felt B, Georgieff M, Shallert T. Long-lasting Neural and Beahavioral Effects of Iron Deficiency in Infancy. Nutrion Reviews 2006; 64 (5): S34-S91.

Micronutrientes nos primeiros 6 anos de vida. São Paulo: ILSI Brasil – International Life Sciences Institute do Brasil, 2019. – (Série de publicações ILSI Brasil: força tarefa de nutrição da criança; v. 9).

Gödecke T, Stein AJ, Qaim M. The global burden of chronic and hidden hunger: Trends and determinants. Global Food Securtiy 2018; 17: 21-29. 

Bouis HE, Saltzman A. Improving nutrition through biofortification: A review from HarvestPlus, 2003 through 2016. Global Food Security 2017; 12: 49-58.

Maia CSC, Pires LV, Cozzolino SMF. Deficiências de Minerais e Oligoelementos. In: Palma D, Escrivão MAMS, Oliveira FLC. Guia de Nutrição Clínica na Infância e na Adolescência. Barueri, SP: Manole, 2009. – (Série guias de medicina ambulatorial e hospitalar/ Nestor Schor).

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