Aprovada lei para incluir disciplina sobre diferenças de doenças entre gêneros

August 14, 2018

 

 Em 12 de junho, foi aprovada a Lei Estadual 17.767/2018, que dispõe sobre a inclusão de um capítulo especial a respeito das principais doenças e como se manifestam em mulheres e homens, no estudo da disciplina de Clínica Médica. De autoria do deputado Ulysses Tassinari, a iniciativa faz parte de demanda da Associação Brasileira de Mulheres Médicas, que contou com o apoio de entidades como a Associação Paulista de Medicina.

 

 Segundo a vice-presidente da ABMM, Marilene Rezende Melo, a lei contribuirá para a diminuição do número de óbitos entre mulheres, uma vez que os médicos estarão mais capacitados em compreender os imperceptíveis sintomas de algumas doenças. “Sabemos que no Brasil uma em cada três mulheres morre de infarto. Isso ocorre porque a sintomatologia é muito diferente, comparada à do homem. Por exemplo, entre o sexo masculino há o predomínio de forte dor no peito. Com urgência, ele se dirige ao pronto-socorro e os profissionais fazem o cateterismo, uma ponte de safena e o internam. Já algumas mulheres sentem apenas uma falta de ar e não têm o diagnóstico adequado; muitas, inclusive, nem procuram o profissional de Saúde”, explica.

 

 Tassinari, autor do projeto, ressalta que a finalidade da lei é despertar e conscientizar os jovens médicos a valorizarem adequadamente quaisquer sintomas apresentados, sobretudo, com relação ao sexo feminino. De acordo com ele, a mudança comportamental da mulher na sociedade, como sua inserção no mercado de trabalho, ampliou o quadro de estresse e afetou a qualidade de vida. “Após o expediente profissional, muitas chegam à residência e encaram outras tarefas. O aumento do tabagismo nesse grupo e o uso de pílula anticoncepcional também causaram maior incidência de doenças cardiovasculares. Então, mulheres mais jovens estão sofrendo com esse problema precocemente”, afirma.

 

 A ideia de inserir uma disciplina específica na grade brasileira de Medicina das diferenças sintomatológicas de gênero surgiu através da participação da diretoria da ABMM em eventos acadêmicos, como a 11ª edição do Congresso Internacional de Mulheres Médicas, em Montreal, Canadá, em 2012. “Tivemos o conhecimento que, nos Estados Unidos, morriam muito mais mulheres que homens por infarto do miocárdio. As cardiologistas americanas resolveram divulgar as diferenças de sintomas à população e aos médicos, revertendo o número de óbitos no país”, esclarece Marilene.

 

 Em países como Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Itália e Japão, de acordo com ela, já consta no currículo das faculdades de Medicina matéria sobre as diferenças sintomáticas de doenças entre gêneros. Aqui no Brasil, a discussão sobre a inclusão da disciplina também recebeu apoio do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP, do Instituto Saúde e Sustentabilidade e do Conselho de Pastores do Estado de São Paulo (Copesp).

 

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