Adubos:insumos fundamentais para manutenção da saúde e qualidade de vida

November 17, 2016

 

O Brasil é o segundo maior exportador agrícola do mundo e deverá assumir a liderança mundial a partir de 2024,  como provedor de alimentos para o planeta. O cenário futuro é de aumento da população. Haverá, então, necessidade cada vez maior de garantir a segurança alimentar e nutricional para a população.  

 

Os fertilizantes são imprescindíveis para a qualidade e quantidade da produção agrícola, pois são fontes de nutrientes para as plantas, sem os quais elas não completam o seu ciclo de vida. O país consome cerca de 32,2 milhões de toneladas de adubos atualmente, o que resulta em crescimento na produção de alimentos para consumo interno e também para exportação. 

 

Todo esse processo ainda é pouco conhecido pela população, que também confunde fertilizantes com outros produtos agrícolas.  Com o objetivo de desfazer os conceitos populares errôneos sobre o uso de adubos no cultivo das culturas, foi lançada recentemente a iniciativa Nutrientes para a Vida (NPV), segmento nacional do programa americano Nutrients for Life.

 

Dr. Luiz Roberto Guimarães Guilherme, engenheiro agrônomo e professor do Departamento de Ciência do Solo da Universidade Federal de Lavras, exalta não somente a importância dos fertilizantes para a produção de alimentos, mas também o seu benefício para a saúde humana: “Existe uma relação direta entre o que está presente no solo e o que está contido nos produtos plantados. O fertilizante é essencial para aportar os nutrientes que estão deficientes no solo”, explica. 

 

Dr. Guilherme ainda argumenta que também há uma relação direta entre a biodisponibilidade do nutriente e a necessidade de sua adição como fertilizante, como ocorre, por exemplo, com o zinco. “O zinco é um nutriente fundamental para o crescimento das plantas, mas na maior parte dos solos deficientes do cerrado, por exemplo, é preciso fornecê-lo via adubação”. Uma das consequências  da carência de zinco nas populações – que já afeta cerca de dois bilhões de pessoas no mundo – é justamente o problema de nanismo. 

 

Para o bom desenvolvimento da agricultura, é necessário suprir a demanda das plantas em macronutrientes – nutrientes que são exigidos em maiores quantidades – e em micronutrientes – nutrientes que são exigidos em menores quantidades –, ambos disponíveis nos fertilizantes. 

 

“Nos solos nacionais, de  maneira geral, é preciso adubar com  quase todos os nutrientes. É fundamental fazer a análise do solo para verificar os nutrientes que estão em falta, para aplicá-los na quantidade adequada”, comenta Dr Guilherme. 

 

Panorama do futuro: alimentos funcionais

 

O conceito de segurança alimentar engloba cinco pilares fundamentais: produção em quantidade suficiente; qualidade nutricional; segurança no que diz respeito à não contaminação de produtos; aceitação dos alimentos e  estabilidade da produção.

 

“Cada vez mais a ciência mostra que, em grande parte das populações, a quantidade de alimentos já não é uma grande barreira, porém, a qualidade da dieta é um problema sério. Assim, há uma tendência, em alguns países, de aplicar obrigatoriamente aqueles nutrientes considerados deficientes nos solos para alcançar o teor adequado nas plantas”, afirma Dr. Guilherme. 

 

Aumentar a concentração de minerais e vitaminas em culturas que alimentam grandes populações, utilizando as técnicas modernas de produção agrícola, é a maneira mais fácil de levar o nutriente à população. O panorama para o futuro inclui uma nova estratégia, voltada à especificidade da nutrição de qualidade para a sociedade: a do alimento funcional.  Além de suas qualidades nutricionais básicas, ele age de forma benéfica em uma ou mais funções do organismo humano. Tais alimentos também são vistos como promotores de saúde e podem estar associados à redução do risco a certas doenças.

 

“Não tenho dúvidas de que chegará o momento em que alguns países exigirão garantias mínimas em nutrientes no produto a ser exportado. Hoje, vendemos commodities (mercadorias), como a soja. Se, por exemplo, exportamos uma soja com alto teor de selênio, e formos capazes de mostrar que o nutriente está na forma de uma proteína que pode reduzir a incidência de câncer de próstata, passamos a ser provedores de uma specialty (mercadoria especial) com importante papel nutricional e, até mesmo, preventivo de doenças” esclarece. 

 

A produção de alimento funcional, agradável ao paladar e com alto teor de nutrientes é um novo patamar da agricultura. Ainda, segundo Dr. Guilherme, já existem parâmetros estabelecidos para o futuro. “Um bom teor de zinco em trigo é de 33 partes por milhão e em algum momento chegará a um consenso mundial. Se comercializarmos um trigo com teor mais baixo, consequentemente, será menos valorizado”. 

 

Atualmente, em algumas regiões da Índia, é obrigatória a presença de zinco no fertilizante, até por questão de sobrevivência. A China está começando a aderir a este sistema. Já a Finlândia foi o primeiro país do mundo a acrescentar selênio no adubo por decisão governamental - estudos mostram uma redução drástica na incidência de câncer de próstata em decorrência da melhor ingestão de selênio pela população masculina. 

Please reload

Destaque

Live SOGESP aborda medicina fetal

July 8, 2020

1/10
Please reload

Posts relacionados
Please reload

Arquivo