“Fadiga do Preservativo”: a crise dos métodos contraceptivos e da proteção na adolescência

July 12, 2016

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes, em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez.

 

Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém sob a ótica emocional e cognitiva ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas.

 

Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção.

 

Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”.  “Talvez eles já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica.

 

Além de não demonstrar medo das DSTs, dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo; portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez de não em uma discussão de direitos e decisões”, alerta.

 

Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias - pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável.

 

“Prevenir gravidez na adolescência é processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio estão melhores capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui.

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