Saiba mais sobre a sífilis congênita

June 7, 2016

 De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, em 2015, o número de casos de sífilis apresentou o expressivo aumento de 603% nos últimos seis anos. Os índices dos quadros congênitos também mostrou crescimento, chegando a 135% - todavia, o valor nas gestantes é o mais impressionante, de 1.047%.

 

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis manifesta-se em até três estágios, com mais sintomas nos dois primeiros. A principal via de transmissão é através do contacto sexual, mas a infecção também pode ser transmitida da mãe para o feto durante a gravidez ou no momento do nascimento. O quadro primário, chamado cancro duro, é caracterizado por úlcera genital, geralmente indolor, que ocorre no local de contato com a bactéria. Muitas mulheres não percebem a existência da lesão. Adriana Campaner, Primeira Tesoureira da Associação de Obstetrícia Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) explica que “essa fase desaparece após cerca de duas a três semanas, sendo que a mulher pode evoluir para a sífilis secundária, com lesões de pele que favorecem o diagnóstico; além disso, também é comum queda de cabelo, manchas e condiloma plano, cuja aparência é similar ao condiloma verruco do HPV, bem como outros sintomas clínicos”.

 

Se não tratada, muitas vezes os sintomas  desaparecem e o indivíduo entra na fase latente; ou seja, só vai ser descoberta a sífilis quando fizer um exame de sangue. Após um ano, é considerada forma tardia. Existe também a sífilis terciária, com lesões vasculares e neurológicas, bem como gomas sifilíticas, dentre outros, que são formas raras.

 

Congênita

Controlar a doença durante a gestação é um fator primordial para se evitar a transmissão para o recém-nascido. Uma das medidas para tanto é o tratamento com penicilina benzatina, que passa pela barreira placentária e protege o feto concomitantemente.

 

“O acompanhamento pré-natal deve ser feito por meio de dois exames (VDRL e FTA-ABS) no primeiro trimestre e, caso positivo, já se inicia o tratamento. Alguns também recomendam a triagem no segundo e terceiro trimestre, além de sua realização na hora do parto”, informa. “Inclusive, coordeno um grupo de pós-graduação, no qual fizemos um trabalho de rastreio de DST no puerpério. Dentre as mil mulheres que participaram do estudo, apenas 30% tinham a sorologia no primeiro e segundo trimestre de gestação. No terceiro, o índice chegava a 70%”, continua.

 

Em casos de sífilis congênita, pode ocorrer aborto, má formação do feto ou morte no nascituro. O cuidado deve ser especial no momento do parto, a fim de evitar sequelas no bebê como cegueira, surdez e deficiência mental.

 

Seus sinais podem surgir após o nascimento até os primeiros dois meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas pelo corpo e problemas ósseos, por exemplo. Para se evitar complicações, o recém-nascido permanece internado por cerca de dez dias para tratamento.

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