Sem acesso, gestantes e puérperas morrem, em média, mais do que a população brasileira por Covid-19

Média semanal de óbitos já supera o dobro das ocorridas em 2020



Cresceu exponencialmente o número de mortes maternas por Covid-19. Outro fato gravíssimo: desde o início da pandemia, uma em cada cinco gestantes e puérperas internadas com SARS-Cov-2 não tiveram acesso a unidades de terapia intensiva (UTI) e cerca de 34% não foram intubadas, derradeiro recurso terapêutico que poderia salvá-las.


Os números são do recém-lançado Observatório Obstétrico Brasileiro COVID-19 (OOBr Covid-19), que visa a dar visibilidade aos dados desse público específico e oferecer ferramentas para análise e fundamentação de políticas para atenção à saúde de gestantes e puérperas em relação ao novo coronavírus.


O OOBr Covid-19 foi criado e é mantido por Rossana Pulcineli Vieira Francisco (docente do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente da SOGESP), Agatha Rodrigues (docente do Departamento de Estatística da UFES) e Lucas Lacerda (estudante de graduação em Estatística na UFES).


Entre março de 2020 e 7 de abril passado (quando da mais recente atualização de estatísticas do Ministério da Saúde), são 9.479 casos de internações por Covid com 738 óbitos (7,78%).


Isso sem contar outros 9.784 de registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com 250 mortes entre gestantes e puérperas, que, na avaliação dos pesquisadores, podem ser também episódios de SARS-Cov-2.

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