Cidade de São Paulo não segue determinação de estender vacinação as gestantes e puérperas



O governador de São Paulo, João Dória, anunciou, faz uma semana, a antecipação do processo de vacinação estadual, inclusive às grávidas e às puérperas sem comorbidades. A medida vigora desde 10 de junho de 2021, tendo o aval da Secretaria Estadual da Saúde (SES).

Estaria tudo bem, se o roteiro fosse seguido à risca. Só que não. Alguns municípios, entre os quais o de São Paulo, resistem em seguir a recomendação do Estado, mantendo milhares de grávidas e gestantes à margem da vacinação e sob risco importante para elas e seus bebês: até o de óbito.

Ocorre que o processo está burocratizado (dificultando o acesso que deveria ser simples e universal) – segundo a SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo). Na cidade de São Paulo, estão exigindo que a gestante/puérpera sem comorbidade tenha recomendação médica para vacinar contra a Covid-19. Para tanto, elas precisam agendar consulta, passar com o médico e inclusive pagar, se não é do sistema público. O Secretaria Estadual da Saúde liberou essa necessidade de recomendação a todo o Estado. Não há razão para dificuldades na Capital.

Moral da história: a paciente da rede particular pede e o médico faz a declaração… Já aquela sem recursos, é penalizada e desiste.


Dados do Observatório Obstétrico Brasileiro COVID-19 (OOBr Covid-19), confirmam avanço estarrecedor da mortalidade materna no Brasil em virtude do SARS-Cov-2.

Desde o início da pandemia, registramos 1.334 óbitos de gestantes e puérperas por Covid-19. Em todo o período de 2020, foram 455 falecimentos contra 879 apenas nos primeiros cinco meses e meio de 2021. No Estado, são 244 mortes, das quais cerca de 23% vidas perdidas na Capital.


Um dado menos recente, de 26 de maio, mas tão alarmante quanto: no cômpito 2022-2021, uma a cada cinco gestantes e puérperas mortas pelo SARS-CoV-2 não teve acesso a unidades de terapia intensiva (UTI) e 33% não foram intubadas -o derradeiro recurso terapêutico que poderia salvá-las.

Antes mesmo do anúncio do Governo, a SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo) defende e pleiteia a imunização de todas as gestantes e puérperas, independentemente de comorbidades.

Recomenda igualmente que não seja mais exigido relatório ou prescrição médica ou ainda qualquer outro documento além daqueles que comprovam a gestação ou o puerpério, assim como ocorre na vacinação contra gripe e outras – recomendação, aliás, incorporada pela SES, mas também não cumprida por certas cidades.


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