Baixíssima adesão de gestantes e puérperas à vacinação contra Covid-19 preocupa médicos especialista

O Observatório Obstétrico acaba de divulgar novos dados sobre o impacto da Covid-19 entre gestantes e puérperas. Uma estatística alarmante é a de que a vacinação vem ocorrendo em ritmo insuficiente, o que significa que futuras mães e as que tiveram bebês recentemente seguem expostas ao grave risco de contrair o vírus SARS-CoV-2 e de ir a óbito.

O Brasil tem 3.1 milhões de gestantes e puérperasa. Conforme dados de vacinação da Campanha Nacional de Vacinação contra Covid-19, divulgados em https://opendatasus.saude.gov.br/dataset/covid-19-vacinacao e atualizados em 15 de setembro 2021, são 1.318.196 doses aplicadas em gestantes e puérperas, com 421.245 gestantes e puérperas completamente imunizadas (com segunda dose ou dose única)b.

Proporcionalmente, os três estados que mais aplicaram a primeira dose são Pernambuco (46%), Espírito Santo (45%) e Paraná (44%). Os que menos imunizaram até agora: Roraima (3%), Ceará (6%) e Amapá (12%).


Ocorre que as mortes entre elas seguem em altíssimo nível. Desde início da pandemia, já perderam a vida 1.869 gestantes e puérperas em consequência da Covid-19. Em 2021, são 1.409 óbitos maternos - 206% a mais do que 2020. Em contrapartida, a evolução lenta demais no processo preocupa especialistas. Veja quadro das completamente imunizadas, abaixo.

Os especialistas, aliás, alertam puérperas e gestantes a se vacinar o mais urgentemente. Também analisam os quadros geral e por estado, para melhor compreensão do fenômeno.


De acordo com a dra. Rossana Pulcineli Vieira Francisco, uma das criadoras do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 e presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, uma série de fatores contribuem para a baixa adesão e, na somatória, acabam colaborando com o desserviço à saúde. Figuram entre tais fatores, a irresponsável pregação contra a imunização e as fakenews, a falta de ação efetiva do próprio sistema para romper barreiras/burocracias que dificultam o acesso (como solicitações de prescrição médica etc), além de omissão e/ou até indicação contrária às vacinas e o medo de certas mulheres por falta de informação adequada.


Uma a cada cinco gestantes e puérperas mortas não teve acesso a UTI.


Registre-se a letalidade da doença em casos graves (casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG): era de 7,3% em 2020 e saltando para 14,9% em 2021. Desde o início da pandemia, uma a cada cinco gestantes e puérperas mortas por COVID-19 não teve acesso a unidades de terapia intensiva (UTI) e 32,4% não foram intubadas.


Assim, entre março de 2020 até a última atualização, são 17.816 casos de SRAG confirmados por Covid-19 e, repetimos, 1.869 óbitos (11,9% dos casos finalizados). Isso sem contar outros 13.238 de registros com 342 mortes entre gestantes e puérperas com SRAG não especificada, que podem ser também episódios de SARS-Covid-19.


O OOBr Covid-19 visa a dar visibilidade aos dados desse público específico e oferecer ferramentas para análise e fundamentação de políticas para atenção à saúde de gestantes e puérperas durante a pandemia atual.


Para outras informações sobre a vacinação COVID-19 para a população de gestantes e puérperas, clique no link observatorioobstetricobr.shinyapps.io/vacinacao-covid19 e acesse os menus "Vacinação COVID-19", para informação das doses aplicadas diariamente e acumuladas, e "Vacinação estado e município", para recortes por estados e municípios brasileiros. Para as análises consideradas nesses dois menus, foram filtrados casos únicos identificados como ‘gestante’ ou ‘puérpera’, ano de vacinação em 2021, do sexo feminino e entre 10 e 55 anos.

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Sobre o OOBr


O Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) é uma plataforma interativa de monitoramento, análise de dados públicos (da saúde, socioeconômicos e ambientais) cientificamente embasadas e disseminação de informações relevantes na área da saúde materno-infantil, com recortes estaduais e municipais.


O OOBr visa ser uma referência de informações acessíveis e confiáveis sobre saúde materno-infantil e ser um suporte importante para a tomada de decisões na área.


a. Estimativa baseada no número de nascidos vivos em 2019 + 10% (taxa de aborto)


b. Considerando os casos consistentes da base de dados da Campanha Nacional de Vacinação: filtrados casos únicos identificados como ‘gestante’ ou ‘puérpera’, ano de vacinação em 2021, do sexo feminino e entre 10 e 55 anos.

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