Aumentam em 217% os óbitos de gestantes e puérperas por Covid-19, em comparação a 2020

O Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) traz dados preocupantes no relatório semanal divulgado há pouco com dados sobre o SARS-CoV-2. Desde o início da pandemia, são 1.926 gestantes e puérperas mortas pela Covid-19. Já são contabilizados 1.465 óbitos maternos em 2021, ou seja, 217% a mais do que 2020.

São números atualizados de Síndrome Respiratória Aguda Grave por COVID-19 para a população de gestantes e puérperas (OOBr COVID-19) e para a população infantil até 2 anos (OOBr COVID-19 1000 dias). A última atualização do SIVEP-Gripe disponível pelo Ministério da Saúde no site https://opendatasus.saude.gov.br/dataset é 3 de novembro de 2021.


Letalidade


Um destaque é a letalidade da doença em casos graves (casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG): era de 7,3% em 2020 e saltando para 14,3% em 2021. Desde o início da pandemia, uma a cada cinco gestantes e puérperas mortas por COVID-19 não teve acesso a unidades de terapia intensiva (UTI) e 32,4% não foram intubadas.


Assim, entre março de 2020 até a última atualização, são 18.534 casos de SRAG confirmados por Covid-19 e, repetimos, 1.926 óbitos (11,6% dos casos finalizados). Isso sem contar outros 13.920 de registros com 369 mortes entre gestantes e puérperas com SRAG não especificada, que podem ser também episódios de SARS-Covid-19.


O OOBr Covid-19 visa a dar visibilidade aos dados desse público específico e oferecer ferramentas para análise e fundamentação de políticas para atenção à saúde de gestantes e puérperas durante a pandemia atual.


Clique no link observatorioobstetrico.shinyapps.io/covid_gesta_puerp_br para acessar o OOBr COVID-19.


Covid-19 nos primeiros 1000 dias de uma bebê


Os primeiros 1000 dias de vida da criança é o período compreendido entre a concepção até os dois primeiros anos de vida (270 dias de gestação e 730 dias de vida da criança). Este é o intervalo de ouro que determina todo o futuro da criança no âmbito biológico (crescimento e desenvolvimento), intelectual e social. Este termo decorre de uma série de estudos publicados na revista de medicina inglesa Lancet, entre 2008 e 2013, que analisou os primeiros mil dias do ciclo de vida, demonstrando que o cuidado se inicia com a mãe durante a gravidez. A falta de políticas públicas de saúde comprometidas com a saúde integral da gestante e da criança desencadeia consequências irreparáveis que impactam diretamente na mortalidade infantil nesta faixa etária.


Desde o início da pandemia, são 12.048 casos de SRAG confirmados por COVID em crianças até dois anos e 973 mortes. Um destaque é a alta concentração de mortes nos primeiros meses de vida do bebê: 56,2% delas está concentrada até no terceiro mês (547 óbitos). Dos bebês que morreram por Covid nessa faixa etária, 30,8% não foram para UTI e 38,3% não passaram por intubação, recursos importantes nessas situações. Se considerarmos todos os casos de SRAG nesse público infantil, foram 33.466 registros e 1.725 mortes em 2020. Neste ano, são 55.873 casos e 1.420 óbitos. Em 2019 (ano anterior à pandemia) foram 19.142 casos de SRAG e 576 mortes nessa faixa etária. Em 2020, a porcentagem de desconhecimento do agente causador da SRAG é de 77,8% e essa porcentagem é de 72,7% em 2021. O problema não é novo mas se agravou na pandemia de Covid-19. Em 2019, por exemplo, 58% tinham agente etiológico desconhecido. Dentre os casos com agente etiológico conhecido, o coronavírus responde a 73,1% dos registros em 2020 e 43,4% em 2021. O restante fica por conta dos vírus que tradicionalmente afetam as crianças pequenas, como o adenovírus. Clique no link observatorioobstetrico.shinyapps.io/criancas_ate2anos para acessar o OOBr COVID-19 1000 dias.


Números de vacinação


Ao considerar os dados de vacinação da Campanha Nacional de Vacinação contra Covid-19, divulgados em https://opendatasus.saude.gov.br/dataset/covid-19-vacinacao e atualizados em 03/11/2021, são 1.706.528 doses aplicadas em gestantes e puérperas, com 729.267 gestantes e puérperas completamente imunizadas (com segunda dose ou dose única).


Para outras informações sobre a vacinação COVID-19 para a população de gestantes e puérperas, clique no link https://observatorioobstetrico.shinyapps.io/vacinacao-covid19 e acesse os menus "Vacinação COVID-19", para informação das doses aplicadas diariamente e acumuladas, e "Vacinação estado e município", para recortes por estados e municípios brasileiros. Para as análises consideradas nesses dois menus, foram filtrados casos únicos identificados como ‘gestante’ ou ‘puérpera’, ano de vacinação em 2021, do sexo feminino e entre 10 e 55 anos.


Os dados inconsistentes (casos de sexo masculino, com ano de vacinação diferente de 2021 e com idade menor que 10 anos e maior que 55 anos) não foram considerados nos números e análises descritos anteriormente e podem ser vistos no menu “Inconsistências vacinação”.


Sobre o OOBr


O Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) é uma plataforma interativa de monitoramento, análise de dados públicos (da saúde, socioeconômicos e ambientais) cientificamente embasadas e disseminação de informações relevantes na área da saúde materno-infantil, com recortes estaduais e municipais.


O OOBr visa ser uma referência de informações acessíveis e confiáveis sobre saúde materno-infantil e ser um suporte importante para a tomada de decisões na área.

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